
A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professora Ruth Rosita de Nazaré Gonzales, localizada no bairro do Guamá, em Belém, foi palco de uma ampla programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Pará (SNCT-PA 2025-2026). O evento, nesta sexta, 24 de abril, foi promovido ao longo de todo o dia, reunindo estudantes do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e Ensino Médio, em atividades voltadas à ciência, tecnologia, educação ambiental e inovação.
Alinhada ao tema da SNCT Pará 2025, “Planeta Água é Aqui! Cultura Amazônica Paraense: expressão da Cultura Oceânica”, o evento destacou a relação da população amazônica com as águas e os desafios ambientais contemporâneos.
Com essa proposta, os alunos tiveram acesso a uma série de oficinas, exposições e palestras que buscaram estimular o pensamento crítico, a criatividade e o interesse pelo conhecimento científico.

Esta é a primeira vez que a SNCT realiza um evento formativo no espaço, como destaca a diretora Márcia Ruiz. “Nunca havíamos participado da programação, especialmente no que se refere às mostras e oficinas na área da Ciência e Tecnologia. Tivemos a oportunidade de possibilitar novas formas de desenvolvimento no processo de aprendizagem”, salientou.
Segundo a gestora, o encontro teve participação expressiva da comunidade escolar, que engloba um total de 377 crianças e adolescentes, em formação de tempo integral. “Nossos alunos conseguiram desenvolver seu potencial de acordo com suas habilidades individuais, oportunizando que cada um se reconhecesse em diferentes segmentos, desde a física, a matemática e a robótica, até o mundo dos desenhos e das artes em geral”, enfatizou Ruiz.
Já o professor Weverton Raiol, publicitário e doutorando, atuou na organização do evento e contou com apoio da comunidade escolar. O docente comenta a importância da ação, especialmente para os alunos do curso técnico de marketing, que participaram como monitores na divulgação, logística e acompanhamento da programação. “A SNCT é muito importante porque envolve nossos alunos com áreas de tecnologia e inovação, principalmente com o tema, que neste ano é cultura oceânica. Mas não apenas isso: a programação traz a ciência como deve ser, interdisciplinar e em diferentes linguagens, conectando-se ao cotidiano. Além disso, oportunizou a participação ativa dos nossos alunos do curso técnico no planejamento e na execução do que projetamos para hoje. Eles dividiram a responsabilidade pelo evento!”, afirma.

Segundo o docente, a ação abre um universo muito significativo para as crianças e adolescentes. “Muitos estudantes, que às vezes acreditam que a ciência está apenas nos livros, conseguiram experimentá-la na prática e vivenciá-la de várias maneiras. No fim das contas, foi um dia de muito aprendizado. Eles saíram entusiasmados e mais conscientes sobre o cuidado com as águas, a saúde das pessoas e do meio ambiente”, acrescenta o professor.

Programação – Entre os destaques da SNCT-PA na Escola Ruth Rosita, esteve a oficina “Pelas Ondas do Hip-Hop”, que utilizou o rap como estratégia de conscientização sobre questões ambientais, especialmente relacionadas a enchentes e mudanças climáticas nas periferias.
Outra atividade relevante foi a oficina de Criação de Podcast, que apresentou técnicas de produção de conteúdo em áudio, incluindo roteiro, gravação e edição.
A tecnologia também ganhou espaço com a oficina “Realidade Virtual 3D- Imersão Azul”, que proporcionou uma experiência interativa voltada à conscientização sobre a preservação dos rios e mares, além da oficina de Robótica, que introduziu conceitos de programação e eletrônica de forma prática e lúdica.



Jonathan Sales, oficineiro de Robótica, ressalta a relevância de ministrar a atividade. “Percebi que as crianças demonstraram bastante interesse em aprender sobre a temática e acharam tudo muito envolvente”. Ele explica que “a robótica é muito importante no nosso dia a dia, especialmente quando falamos da conservação da água. Hoje ela é aplicada em diversas áreas, como na preservação hídrica, por exemplo em sistemas automatizados de tubulações, que ajudam a identificar vazamentos e resolver esses problemas rapidamente”.
“Na agricultura, também há aplicações importantes: sistemas que verificam a umidade do solo e controlam automaticamente a irrigação, evitando o desperdício de água”, pontua, ao mencionar que “formar novos pesquisadores é essencial. Podemos incentivar pessoas que, no futuro, vão desenvolver novas soluções em robótica voltadas para a preservação da água e do meio ambiente”, conclui.

Reflexões em grupo
Uma das atividades realizadas no evento foi a palestra “Quem você quer ser, muda o mundo que você vai construir”, que buscou destacar os projetos de vida pessoal dos alunos e como essas escolhas podem se somar a projetos de maior abrangência e inovação social. “A conversa foi conduzida a partir das ideias de Ailton Krenak, especialmente da obra Ideias para Adiar o Fim do Mundo, que provocou os jovens a pensarem sobre seus papéis no presente e suas responsabilidades com as próximas gerações. Como exercício, eles escreveram cartas para o ‘eu do passado’, projetando conquistas, inventando caminhos e narrando suas próprias histórias, um movimento de imaginação e escuta que revelou um desejo comum: ser alguém melhor, mais seguro e um exemplo dentro de casa”, salienta a palestrante Karina Souza, que conduziu o debate.
“Em um território moldado pelas águas, como a Amazônia, pensar o futuro é também refletir sobre pertencimento, responsabilidade e continuidade. As ideias de Krenak ecoam com ainda mais força nesse contexto, onde rios, vidas e histórias se entrelaçam. Ao compartilhar iniciativas como a Coalizão pelo Impacto Belém, o encontro reforçou que esses jovens já fazem parte das soluções e podem construir caminhos de impacto positivo a partir de suas próprias realidades. Adiar o fim do mundo, ali, ganhou um sentido concreto: seguir tendo o que contar, preservando memórias, territórios e possibilidades que nascem e fluem, como as águas da Amazônia”, concluiu Karina.
Proposta interdisciplinar e participativa
A programação incluiu ainda atividades como produção de animação experimental com o tema “Movimento das Águas”, criação de zines, desenho de quadrinhos com foco na ciência da água, oficina de jogos educativos digitais no Scratch e uso de Chromebooks. Também foram realizadas exposições de objetos de Física e Matemática, além de oficinas como “A Matemática da Bolha de Sabão”.
Outro momento relevante foi a atividade “Árvore das Águas”, um espaço interativo em que os estudantes registraram reflexões e sugestões sobre a preservação ambiental.

Destaque também para a oficina Urban Sketchers, que abordou o desenho de observação como prática artística e meio de conexão social, além de seu alcance na educação, saúde mental e economia criativa.

Com uma proposta interdisciplinar e participativa, a SNCT-PA na escola Ruth Rosita reforçou a importância da ciência e da tecnologia como ferramentas de transformação social, incentivando os estudantes a refletirem sobre seu papel na construção de um futuro mais sustentável.