Produzido com colaboração de estudantes do 9º ano de escolas públicas de Santarém, no oeste do Pará, curta-metragem é o resultado prático de uma roda de conversa da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2025 que conecta a juventude local à preservação ambiental
Um retrato sensível e dinâmico que conecta as paisagens fluviais do oeste paraense à imensidão dos mares globais. Este é o resultado prático da roda de conversa com o tema “Cultura Oceânica”: o microdocumentário de cinco minutos intitulado “Os caminhos que conectam a Amazônia e o oceano”. A atividade foi realizada com professoras convidadas, estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental e professores de ciências das Escolas Estaduais Aluízio Lopes Martins e Terezinha de Jesus Rodrigues.

Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 05 de junho, a produção audiovisual é fruto direto do engajamento dos estudantes nas ações da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2025), consolidando o conhecimento científico por meio da sensibilidade artística.
O vídeo materializa localmente as discussões do projeto macro “Planeta Água é Aqui! Cultura Amazônica Paraense: expressão da Cultura Oceânica”, que por sua vez adapta o tema nacional da SNCT deste ano “Planeta Água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”, que se encaminha para finalização de suas ações neste mês.
O oceano começa na floresta
A premissa que conduziu o minidoc fundamenta-se na interconexão hídrica da região. Longe de ser um elemento isolado e distante da realidade nortista, a cultura oceânica na Amazônia assume papel crucial. O projeto defende que o oceano não se inicia nas praias litorâneas, mas sim no interior da floresta, alimentado por uma vasta rede de olhos d’água, córregos, igarapés, lagos e rios que atuam como verdadeiros corredores em direção ao mar.
Para dialogar sobre conceitos complexos de forma dinâmica e engajadora, a produção audiovisual utilizou uma metodologia baseada no protagonismo juvenil. O processo iniciou-se com uma roda de conversa filmada no Centro de Tecnologias Comunicacionais da 5ª Diretoria Regional de Ensino (5ª DRE/SEDUC), unindo o ambiente escolar ao ecossistema científico regional.

Além do diálogo, o minidocumentário enriquece sua narrativa visual com a captação de imagens complementares em pontos estratégicos da biodiversidade e geografia local, incluindo os lagos Mapiri e Papucu, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Juá, o Aquífero de Alter do Chão, a Floresta Nacional do Tapajós e a Reserva Extrativista (RESEX) Tapajós-Arapiuns.
Diálogo interdisciplinar e interinstitucional
A construção do curta-metragem mobilizou uma sólida rede interinstitucional. A atividade no município de Santarém foi coordenada pelo professor e pesquisador Everaldo de Souza Cordeiro, professor da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC/PA), responsável direto pela organização geral da ação, produção e direção do vídeo.
O debate contou com as contribuições da Profa. Dra. Raimunda Lucineide Gonçalves Pinheiro, doutora em Ciências Ambientais pela UFOPA, e da Profa. Dra. Rosa Luciana Pereira Rodrigues, doutora em Ciências da Comunicação pela UFPA. Na mediação pedagógica, atuaram os professores de ciências Pedro Paulo Mota Figueira e Priscila Veiga da Silva, garantindo a interface entre as matrizes curriculares e a educação ambiental.
A Profa. Dra. Lucineide Pinheiro explica que quando o estudante compreende a importância da água e o caminho que ela faz, da nascente até o mar, ele passa a se comprometer também. “Então, a educação ambiental não é apenas uma matéria decorativa, ela passa a ser compromisso, passa a ser engajamento”, complementa a professora.
Para a Profa. Dra. Rosa Rodrigues a educomunicação entra justamente aí quando um jovem apresenta a sua realidade por meio de histórias, vídeos, áudios, de imagens, consegue olhar a realidade em que vive com outras perspectivas. “O processo de comunicação também leva ao cuidado. A narração pode levar ao compromisso”, destaca a professora.
Próximos passos
Com uma estética documental leve e profundamente integrada ao território, o minidocumentário finalizado é um sopro para instigar e despertar a curiosidade para o aprofundamento das discussões sobre a temática. O objetivo das instituições organizadoras é fazer com que a obra circule amplamente em redes sociais, unidades escolares e espaços comunitários da região, servindo de estratégia pedagógica para sensibilização sobre as mudanças climáticas e a preservação das bacias hidrográficas.
Serviço: Assista ao minidocumentário “Os caminhos que conectam a Amazônia e o oceano”